Festas, orgias, bebedeiras. Tudo esta ligado diretamente às pessoas. São como eletrodos que fixos ao homem são acionados para resgatar estados de alegria ou conforto emocional, no conflito mental entre o certo e o errado. O carnaval além de ser uma festa que contamina toda uma cidade, altera a imagem, a ordem e os valores, interferindo também no estilo de vida dos outros dias do ano, fazendo da cidade um lugar para praticas de orgias coletivas. Uma libertinagem, um ensaio, de pessoas das mais variadas etnias, credos, cores, filosofias.
As festas invadem o centro, os bairros. A orgia cultural urbana nasce uma outra paisagem física e social, surge. O lugar do trabalho, da produção, do consumo e das atividades rotineiras são sacrificadas, tendo que adaptar-se a esse período de grandes agitos. Uma cidade é construída dentro da antiga, como se fosse um brinquedo “lego” tendo as barracas de bebidas alcoólicas como principal atrativo. As mulatas brasileiras lindas são servidas como mercadoria para estrangeiros. Uma multidão consumista e incrivelmente “alegre” surge. A sedução é mais forte. O carnaval faz uma apelação agressiva do sexo. O comércio e o furto caminham juntos. Felicidade e tristeza também, é a festa mais esperada do ano, o feriado mais legalizado, onde drogas tem um papel presente. O que era proibido torna-se liberado. A polícia faz vistas grossas, pessoas viram bichos. Ninguém é de ninguém. As doenças aparecem, o número de pessoas de risco aumenta. Fazer festa é bom, beber, curtir, tudo é bom, mas porque não cuidar-se. Porque não proporcionar vida para si mesmo e para a humanidade. Curtição com responsabilidade, cultura vem de berço, não se aprende na escola. Saber respeitar o espaço do outro não atrapalha a festa de ninguém. Neste ritual, onde a liberdade vira libertinagem, patrocinado pelo poder de mídias e pelo "bom senso" de uma sociedade moralista.
